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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Eumir Deodato - Whirlwinds (1974)



"Having signed a presumably lucrative deal with MCA, Deodato took with him the jazz- Latin-funk-with-a-taste-of-the-classics formula that he perfected with CTI. But there was a sonic price to pay, for MCA's flat, lackluster sound takes a lot of the sheen and color away from Deodato's arrangements and the sound of his electric piano. As a result, this record sounds like a washed-out, black-and-white facsimile of a Deodato CTI record, with one classical adaptation (Schubert's "Ave Maria"), a fairly good reworking of Glenn Miller's "Moonlight Serenade," and three Deodato originals, of which only "Whirlwinds" has a headful of steam. The large orchestra and band are populated by the usual mid-'70s assortment of New York sessionmen and women, along with the ubiquitous John Tropea, but there are few solos worth mentioning outside of Deodato's own funky Rhodes displays."

(http://www.allmusic.com/album/whirlwinds-mw0000315926)


Músicos envolvidos: Eumir Deodato (piano acústico, piano elétrico, sintetizador e percussão), John Tropea (guitarra), John Giulino (baixo), Tony Levin (baixo), Billy Cobham (bateria), Nick Remo (bateria), Rubens Bassini (percussão), Gilmore Digap (percussão), Marvin Stamm (trompete), Alan Rubin (trompete), John Eckert (trompete), Jon Faddis (trompete), Victor Paz (trompete), Larry Spencer (trompete), Jim Buffington (french horn), Brooks Tillotson (french horn), Sam Burtis (trombone), Urbie Green (trombone), Tony Price (tuba), Joe Temperley (sax barítono), Artie Kaplan (sax tenor), Phil Bodner (flauta), George Marge (flauta), Romeo Penque (flauta), Emanuel Green (violino), Irving Spice (violino), Michael Spivakowsky (violino), Harold Kahon (violino), Harry Glickman (violino), Paul Winter (violino), Marvin Morgenstern (violino), Max Ellen (violino), Carmel Malin (violino), Norman Carri (violino), Al Brown (viola), Selwart Clarke (viola), Charles McCracken (violoncelo), Alan Shulman (violoncelo), Gloria Lanzarone (violoncelo), Alvin Brehm (contrabaixo) e Russell Savakus (contrabaixo).



Lado A: 01. Moonlight Serenade / 02. Ave Maria / 03. Do It Again

Lado B: 01. West 42nd Street / 02. Havana Strut / 03. Whirlwinds


Disco (com alguns sinais de uso) e capa (dupla) em ótimo estado.
Edição Brasileira 1974.
Saindo por R$ 40

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Mombojó - 11º Aniversário (2013)



"Foi uma opção um tanto incomum e que deverá interessar principalmente aos fãs. Para comemorar a primeira década de carreira (completada em 2011), o grupo pernambucano Mombojó apostou em regravações de suas próprias músicas para rechear seu quarto e novo disco, '11º aniversário' (Som Livre). Sem metais e com menos ênfase nas guitarras, revisita músicas de seus três primeiros álbuns ('Nadadenovo', 2004; 'Homem espuma', 2006; e 'Amigo do tempo', 2010).

Entretanto, o quinteto não deixou de apresentar uma canção inédita, 'Procure saber', escrita por Felipe S (voz e guitarra) e o ex-integrante Marcelo Campello. Além do vocalista, o Mombojó, que perdeu outro membro em 2007 (Rafael Barbosa, vítima de infarto), é formado por Chiquinho Moreira (teclado), Marcelo Machado (guitarra), Samuel (baixo) e Vicente Machado (bateria).

“Essas regravações sinalizam para onde foi nosso som. Não arrisco dizer para onde ele vai. Somos muito livres e uma música pode ser bem diferente da outra em um disco nosso. Ultimamente, nosso som tem ficado mais dançante e, ao mesmo tempo, inserimos partes diferentes, quebradas, nas músicas, como sempre gostamos de fazer. Nosso som mudou com o tempo, principalmente com a saída dos dois integrantes. Nunca nos prendemos a uma ideia só”, diz o baterista do grupo, Vicente.

Na opinião dele, é justamente 'Procure saber' a faixa que melhor mostra a atual estética perseguida pela banda. “Quisemos gravar usando timbres que ainda não havíamos alcançado e algumas músicas ficaram mais pesadas em nossos shows. Mudamos totalmente a roupa de outras, numa viagem bem diferente. Em 'Saborosa', por exemplo, apostamos na música eletrônica, mas tocada. Já 'Vazio momento' ficou mais soul no começo, com parte mais rock no meio”, explica o músico.

Participação

Para garantir frescor às faixas, o grupo optou também por chamar para o estúdio vários convidados, que, cada um à sua maneira, fazem parte da sua história. A começar pela banda conterrânea Nação Zumbi (na faixa 'Justamente'), que marcou presença nos três álbuns anteriores do Mombojó: o baixista Dengue tocou no primeiro, o guitarrista Lúcio Maia produziu três faixas do segundo (e o vocalista Jorge du Peixe assinou o projeto gráfico) e o baterista Pupilo produziu cinco músicos do terceiro.

Também marcam presença Igor Medeiros (produtor de 'Nadadenovo'), Cannibal (Devotos), China (e seu irmão Ximaru) e Vítor Araújo, que preenche com seu piano a faixa 'Baú', um dos pontos altos do álbum. As gravações levaram 15 dias e foram realizadas em São Paulo. A produção ficou a cargo da banda e de Rodrigo Sanches, que o quinteto conheceu como técnico de áudio de seu disco 'Homem espuma'. “Criação e arranjos ficaram na nossa mão”, esclarece Vicente.

NA ESTRADA

O Mombojó prepara turnê nacional para este ano e, simultaneamente, já pensa no próximo disco. A intenção é lançar um álbum de inéditas ano que vem. Em maio, o quinteto embarca para Portugal, onde toca dia 11, em Lisboa. A expectativa da banda é conseguir agendar outros shows pela Europa na sequência. Já a banda Del Rey (projeto paralelo com China, dedicado à música de Roberto e Erasmo Carlos) encontra-se ocupada principalmente em eventos particulares."

(http://divirta-se.uai.com.br/app/noticia/musica/2013/03/27/noticia_musica,141312/igual-mas-diferente.shtml)


Disco (azul), compacto (vermelho) e capa em excelente estado.
Edição Original 2013.
Saindo por R$ 80


terça-feira, 17 de março de 2015

Coração Transfusionado



Compacto coletânea da "Transfusão Noise Records"

Lado 1
Fujimo - "Computação/Automação"
Lê Almeida - "Má Bike pt.1 e pt.2"
Wallace Costa - "My Charm"



Lado 2
Top Surprise - "More Than Cool"
Carpete Florido - "Roque Novo"
Looking for Jenny - "Do You Need More Fuzz?"



Compacto em excelente estado; com encarte (letras).
Edição Original 2011. 
Saindo por R$ 40



Você Queima Como Fogo / Venha (1977)


Compacto em ótimo estado.
Edição Original 1977.
Saindo por R$ 5

Raul Seixas



Ouro de Tolo / A Hora do Trem Passar (1973)


Compacto em ótimo estado.
Edição Original 1973.
Saindo por R$ 15

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Quarto Negro - Desconocidos (2010)



"Gravado no verão de 2010 em Barcelona, o disco traz novos elementos ainda não experimentados pelo grupo de São Paulo.

Formado em 2008, Quarto Negro ganha corpo nos dois anos seguintes enquanto lança seus primeiros trabalhos "Buu", "Zoroastro" e "Bom dia Lua", até que os rapazes viajam juntos para a Europa, em busca de novas experiências.

Tardes em Barcelona, as frequentes caminhadas entre Llucmajor e Grácia, novas influências musicais, literárias e culturais... uma vivência que transparecece nesse primeiro LP do Quarto Negro.

Em 11 faixas além de duas faixas bônus (exclusivas nessa edição em vinil duplo), cada novo clima eleva a banda a um novo patamar artístico, fiel a uma originalidade não convencional na nova música brasileira"  (texto do encarte do LP)



Discos (duplo) e capa em excelente estado; com encarte.
Edição Original 2010.
Saindo por R$ 60

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

The Cigarettes (2012)




“The Cigarettes”, o terceiro disco, saiu em vinil com tiragem limitada a 250 cópias, com 11 músicas. O vinil tem 180 gramas, foi fabricado na Rep. Tcheca, traz encarte com todas as letras. Além do vinil, uma versão em CD traz as mesmas 11 músicas só que sem a masterização de Gustavo, apenas como foram gravadas, no estúdio BPM em 2008.

Além disso, um EP com tiragem limitada a 50 cópias – “Visions of Mandy” – foi prensado para atender a  algumas das 67 pessoas que ajudaram a bancar o vinil antes da prensagem, através de um crowdfunding que rendeu mais de R$9 mil. Poster com arte de Daniela Hasse e camisa são alguns dos outros mimos que poucos felizardos (e colecionadores) terão por ter ajudado a banda a prensar o vinil.

Além dos fãs, algumas empresas também ajudaram no lançamento:
Locomotiva Discos
Café Elétrico
Coquetel Molotov
RWND
Baratos da Ribeiro


"Marcelo Colares demorou quase duas décadas para lançar o melhor e mais completo registro à frente de sua banda “particular”, o The Cigarettes. Criado pelo músico em 1994, o projeto é ao lado de bandas como Pelvs, Second Come, e Astromato um dos grandes representantes do rock alternativo que invadiu a cena carioca e paulistana no começo da mesma década. Uma surpreendente e inspirada onda de artistas que ajudaram a estabelecer importantes características e marcas ao panorama local, cenário que mais tarde ganharia visível força, estrutura, um selo próprio (Midsummer Madness) e definiria de vez o que ainda hoje é compreendido como os primeiros anos do indie rock em solo tupiniquim.

Mais do que um retorno do artista de Itaperuna – que desde o álbum All Is Well (2005) não lança um novo álbum completo -, o homônimo trabalho serve como um brilhante cartão de visita de Colares para toda uma nova geração de ouvintes. É como se o compositor ocupasse cada uma das 11 canções do presente disco de forma a se apresentar pela primeira vez a um inédito e desconhecido público. Ouvintes tecnicamente preparados pelas recentes distorções proclamadas por grupos como Yuck, Cloud Nothings e The Pains Of Being Pure At Heart, uma nova frente de bandas que de uma forma ou outra parecem estar em sintonia com a proposta do veterano músico carioca.

Embora alguns fios de cabelo branco tenham surgido na cabeça do artista e muito tenha se transformado desde que os primeiros registros do músico foram lançados em idos de 1994 (ainda em fita K-7), as bases que definem as composições do The Cigarettes permanecem felizemente as mesmas. Das distorções nostálgicas proclamadas por The Jesus and Mary Chain e My Bloody Valentine, passando pela sutileza das vozes que preenchem os iniciais registros do Teenage Fanclube – principalmente na fase Bandwagonesque -, tudo parece inalterado nas sempre cativantes músicas do cantor, que ao alcançar o terceiro registro oficial não apenas revive estes experimentos como os  aprimora.

Construído com parcimônia ao longo de quatro anos, o registro passou quase metade desse tempo nas mãos de Gustavo Seabra, guitarrista e vocalista da banda Pelvs que tratou de produzir e mixar o que hoje pode ser compreendido como o novo álbum do Cigarettes. Trabalho mais polido e bem planejado de Colares – que em 2010 deu uma prévia do registro com o lançamento do EP Happiness, Glory and Calmness -, o álbum mergulha nas melancolias e recortes cotidianos do cantor, que assim como nos primeiros trabalhos usa de sua poesia como um instrumento de aproximação, convertendo histórias particulares e doces desilusões em tratados líricos que bem se relacionam com qualquer ouvinte.

Mais do que um registro de conexão entre a música do passado e as presentes gerações de ouvintes, a polidez do álbum acaba por revelar um artista renovado e parcialmente inédito, mesmo àqueles que há tempos acompanham o trabalho do carioca. É como se longe das densas camadas de distorção e ruídos involuntários que impregnavam as antigas e artesanais composições do músico fosse possível encontrar e estabelecer uma relação um compositor raro, um artista que se deixa consumir por doses leves de psicodelia (Time To Go) e pequenas aproximações com o pop (We Are Alone e Older) sem jamais esquecer das guitarras enevoadas que lhe garantiram mínimo destaque no passado.

Em tempos de distorção no rock alternativo, com bandas como The Sorry Shop, Subburbia e Single Parents assumindo as rédeas dessa proposta, o retorno do The Cigarettes não apenas se revela como um feito essencial, como traz de volta uma série de referências e ensinamentos talvez esquecidos por estes recentes grupos. É como se Marcelo Colares, além de garantir subsídios e inspiração para toda uma presente geração de ouvintes e novas bandas fizesse desse retorno uma espécie de benção, estabelecendo uma sólida conexão entre o rock independente proposto há duas décadas e aquilo que predomina na cena atual."

(http://miojoindie.com.br/tag/the-cigarettes/ - "OS 50 MELHORES DISCOS NACIONAIS DE 2012")


Disco e capa em excelente estado - com encarte.
Edição Limitada 250 cópias - única edição.
Saindo por R$ 45

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Cazuza - Ideologia (88)



"Ideologia. Quem é que não quer uma pra viver? Pois era exatamente o que o Cazuza gritava nas rádios há 23 anos, na canção que dava o nome daquele que seria o seu mais emblemático álbum. “Ideologia”, o terceiro de sua carreira solo, é de longe um dos melhores discos da década de 80. Um pico criativo do artista, que infelizmente não iria durar por muito tempo.

No contexto, Cazuza ainda tentava se firmar como cantor solo depois de deixar o Barão Vermelho em pleno auge de vendas do disco “Maior Abandonado”. O fato é que seus dois primeiros discos, mesmo tendo emplacado alguns hits, ainda ficavam devendo algo para a crítica.

Esse quadro mudou com “Ideologia”, que tristemente coincide com as primeiras manifestações agressivas da aids, doença que ele havia contraído um pouco antes de 1988. Na contracapa do disco, ele aparece com um lenço na cabeça, que já era uma forma de tentar disfarçar a queda dos cabelos provocada pela doença.

“Ideologia”, a canção, foi mais uma parceria de Cazuza com Roberto Frejat, do Barão. É um hino dos anos 80. Cita que os heróis dos anos 70 haviam morrido de overdose e que os inimigos, uma citação clara aos políticos, estavam no poder. Também há citações metafóricas à aids (Meu partido é um coração partido/E as ilusões estão todas perdidas/Os meus sonhos foram todos vendidos/tão barato que eu nem acredito…o meu prazer agora é risco de vida…).

A canção seguinte, “Boas Novas”, é uma catarse sonora. Cazuza se revela novamente por inteiro, dizendo que tinha visto a cara da morte e que ela estava viva. Era a doença mais uma vez se manifestando em forma de música.

“O Assassinato da Flor” é uma canção mais leve, que lembra bastante sua época no Barão. E a “Orelha de Eurídice”, com letra mais densa, tem a participação do violonista Rafael Rabelo, que ironicamente também morreria de forma precoce alguns anos mais tarde. A faixa “Guerra Civil” foi resultado de parceria com Ritchie (aquele mesmo do hit “Menina Veneno”) e também tem a cara do Barão.

“Brasil” (parceria com George Israel e Nilo Romero) já tinha sido tema de novela da Rede Globo na voz de Gal Costa. Mas o arranjo da gravação de Cazuza também ficou antológico. Como não se identificar com o cara que ficava guardando os carros enquanto os ricaços bacanas entravam na festa para comer tudo do bom e do melhor? É, o País precisava mostrar mesmo a sua cara para tomar vergonha.

A canção “Um Trem Para as Estrelas” foi composta em parceria com Gilberto GIl. E havia sido trilha de filme no cinema. Ela ganhou um arranjo acústico mais intimista na voz de Cazuza.

“Vida Fácil” foi outra parceria com Frejat, que lembra bastante os tempos com o Barão. Letra com refrão de fácil memorização e melodia que parece inspirada em Erasmo Carlos. “Blues da Piedade” foi mais uma genial parceria com Frejat, em cujo refrão Cazuza reforça a necessidade de se pedir piedade “pra aquela gente careta e covarde”.

As canções seguintes, “Obrigado” e “Minha Flor Meu Bebê”, são mais fracas em relação ao restante. Mas aí, na última canção do disco, Cazuza se supera mais uma vez ao fazer a versão em bossa nova de uma canção escrita por ele e Renato Ladeira. “Faz Parte do Meu Show” grudou na memória de quase todos que passaram pelos anos 80. O arranjo de clima retrô, meio bossa nova e rock´n roll, só realçou ainda mais a beleza da melodia simples que Renato Ladeira compôs.

“Ideologia”, o disco, representou o pico criativo de Cazuza motivado pela doença que se manifestava a cada momento de sua vida, louca vida. Ele gravaria apenas mais dois discos, um ao vivo (“O Tempo Não Para”) e outro de estúdio (“Burguesia”). E só. Aquele menino que iria mudar o mundo passou a assistir a tudo em cima do muro dois anos mais tarde. Em julho de 1990, Cazuza morreu em busca daquilo que sempre quis: uma simples ideologia de vida."

(http://www.leriaselixos.com.br/disco-de-cabeceira-ideologia-cazuza-1988/)


Disco e capa em excelente estado; com encarte.
Edição Original 1988.
Saindo por R$ 50


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Raul Seixas - Novo Aeon (75)



"No verão de 1989, Raul Seixas e eu estávamos em minha casa preparando material para o disco A Panela do Diabo quando ele falou: "Marceleza, vamos dar um tempo nesta paranóia de compor e tomar uma cervejinha". Fizemos uma pausa, quando eu coloquei para tocar o seu álbum Novo Aeon e disparei: "De todos os discos que você fez, este é o meu favorito". Para minha surpresa, ele rebateu: "O meu também!".

À medida que as músicas rolavam, ele ia me dizendo que, ao contrário do sucesso de Krig-Ha Bandolo (1972) com "Ouro de Tolo", e principalmente Gita (1974) - que vendeu algo em torno de oitocentas mil cópias, puxado pela faixa-título -, Novo Aeon não havia ultrapassado as quarenta e poucas mil. Mas se o álbum frustrou as expectativas da gravadora, ao mesmo tempo tornou-se uma espécie de querido filho bastardo para Raul.

Realmente, este é um disco filho da puta de bom. Se Raulzito sempre foi, antes de tudo, um homem de textos, eles nunca estiveram tão afiados, sarcásticos e intensos como em Novo Aeon. O disco é aberto com "Tente Outra Vez", balada que exorta os perdedores e desesperados a voltar à luta: "Tente / Levante sua mão sedenta e recomece a andar / Não pense que a cabeça aguenta você parar."

Entre o dramático e o patético, ela nos conduz a uma obra-prima da parceria de Raul com o letrista Paulo Coelho - o "Rock do Diabo". Temido e odiado no senso comum, o velho demo é visto aqui não só como um integrante da mesma gangue ("O diabo usa capote / É rock, é toque, é fuck"), mas como alguém que pode sintetizar a complexidade da psicanálise em uma simples ação ("Enquanto Freud explica as coisas / O diabo fica dando os toques"). Cantando que "o diabo é o pai do rock", Raul revela uma intimidade com o assunto que remete ao bluesman Robert Johnson - que em 1936 afirmava "andar lado a lado com satã" em "Me and the Devil Blues".

Enquanto o disco rola, surgem os temas mais imprevisíveis. "Tu És o MDC da Minha Vida" traz uma melodia que costura Orlando Dias e Odair José, enquanto a letra - outra parceria com Paulo Coelho - vai levando a situações hilárias através de seus versos impossíveis: "Eu me lembro / Do dia em que você entrou num bode / Quebrou minha vitrola e minha coleção de Pink Floyd". Quem senão Raulzito ousaria tal rima?

Em outras duas canções, ele flagra os impasses e as contradições que se abateram sobre sua geração no início dos anos setenta. No rock'n'roll de "A Verdade Sobre a Nostalgia" declara que "Mamãe já ouve Beatles / Papai já deslumbrou / Com meu cabelo grande eu fiquei contra o que eu já sou". Já "É Fim de Mês" traz em ritmo de baião uma abordagem semelhante (com uma alusão a Os Panteras, o primeiro grupo de rock de Raul em Salvador): "Já fui pantera, já fui hippie, beatnik / Tinha o símbolo da paz dependurado no pescoço / Porque nego disse a mim que era o caminho da salvação."

Mas um dos momentos mais emocionantes está na canção "Para Nóia", em que a criação católica de Raul desaba com toda sua avalanche de culpas, temor a Deus e vergonha da masturbação ("Minha mãe me disse há tempos atrás / Deus vê sempre tudo o que você faz / Mas eu não via Deus / Achava assombração ... Vacilava a ficar nu lá no chuveiro, com vergonha / De saber que tinha alguém ali comigo / Vendo fazer tudo que se faz dentro de um banheiro").

Um disco inquieto, apesar de maduro. Às vezes cínico, mas sempre perturbador, Novo Aeon contém toda a grandiosidade estética e poética de Raul. Um artista que, em vida, fazia questão de polemizar e desprezar o insosso "novo rock brasileiro" e por ele era ignorado. Agora, quase três anos após sua morte, alguns dos "artistas" que o "homenageiam" mal conhecem o trabalho dele, mas parecem "topar tudo" por dinheiro. Não se deixe enganar e vá ao original."

(Marcelo Nova, Seção "Discoteca Básica", Revista Bizz#80, março de 1992)

Faixas:
1. Tente Outra Vez
2. Rock do Diabo
3. A Maçã
4. Eu sou Egoísta
5. Caminhos I
6. Tú és o MDC da Minha Vida
7. A Verdade sobre a Nostalgia
8. Para Nóia
9. Peixuxa (O Amiguinhos dos Peixes)
10. É Fim do Mês
11. Sunseed
12. Caminhos II
13. Novo Aeon

Disco em muito bom estado (sem riscos - com sinais de uso e eventuais estalos).
Capa em ótimo estado.
Saindo por R$ 40,00

sábado, 14 de dezembro de 2013

A Cor do Som - Transe Total (80)



"A Cor do Som: uma das melhores bandas instrumentais de todos os tempos...

Há exatos 23 anos, mais precisamente em 1987, encerrava suas atividades um dos mais importantes grupos musicais brasileiros, A Cor do Som, cujo talento instrumental, aliado à competente fusão de estilos, influenciou toda uma geração de músicos dos anos 80 e 90.

Fundado em 1976/77 como produto da reunião de músicos que, originalmente, acompanhavam Moraes Moreira e participaram dos antológicos ‘Novos Baianos’, A Cor do Som tinha, nas guitarras, o fraseado de Armandinho Macedo (do Trio Elétrico Dodô & Osmar); Mu (teclados); Dadi (baixo), Ary Dias (percussão); e Gustavo (bateria). Logo no primeiro disco, homônimo, reeditado pela Warner, A Cor do Som já dizia ao que vinha, apresentando músicas instrumentais que incorporavam a fusão dos fraseados do rock e jazz a matrizes nacionais como o baião e xaxado do nordeste, o chôro e a polca, em composições como ‘Bodoque’, ‘Arpoador’, ‘Sambavishnu’, ‘Na Onda do Rio’ e ‘Espírito Infantil’. De quebra, brindava os ouvintes com duas belíssimas versões: Tigreza (de Caetano Veloso), em que Armandinho mostrava seu total domínio da guitarra elétrica, do Bandolim e da guitarra baiana. E Odeon (de Ernesto Nazareth).

Na época, o Brasil vivia um certo ‘boom’ de música instrumental, herança do trabalho pioneiro realizado no início dos anos 70 por bandas como ‘Terço’, ‘Som Imaginário’, ‘Mutantes’ e 'Tutti-Frutti', entre outras que revolucionaram a forma de tocar e acompanhar grandes astros do rock e da MPB. No mesmo ano de estréia de A Cor do Som (1977), Pepeu Gomes apresentava seu ‘Geração de Som’, disco totalmente instrumental que, com o passar do tempo, tornou-se verdadeiro clássico do gênero, no qual são encontradas fusões estilísticas semelhantes àquelas tentadas pela Cor do Som.

Sucesso chega com ‘Frutificar’ e ‘Transe Total’

Em 1978, a Cor do Som lançaria aquele que até hoje é considerado seu melhor LP instrumental, gravado ao vivo no Festival de Montreux, Suíça. As apresentações tiveram o reforço de Aroldo Macedo (irmão de Armandinho), com o qual formou bela dupla de guitarras baianas. Um dos pontos altos foi a longa duração de ‘Arpoador’ e uma impagável versão para Brejeiro, de Ernesto Nazareth, apimentando as já tradicionais aparições de bandas e artistas brasileiros naquele festival.

O sucesso de público, no entanto, viria mesmo com o LP ‘Frutificar’, de 1979, puxado pela música anônima (instrumental), aberta por bela introdução ao piano executada por Mu. Frutificar foi o primeiro LP de A Cor do Som que, em seu repertório, trouxe músicas cantadas que se tornaram hits de sucesso, como Abri a Porta (Gilberto Gil-Dominguinhos), Swingue Menina (Mu-Moraes Moreira) e Beleza Pura (Caetano Veloso). 

No ano seguinte (1980), novo sucesso com o disco Transe Total, puxada por Palco (Gilberto Gil) e Zanzibar (Armandinho-Fausto Nilo), com letra que literalmente ‘pegou’ naquele inesquecível verão, quando os rapazes da Cor do Som cantavam em suas lotadíssimas apresentações Brasil afora:

‘no azul de gezebel, no céu de Calcutá, feliz constelação, reluz no corpo dela, ai tricolor colar. Às de maracatu, no azul de Zanzibar, feliz constelação, reluz no gozo dela, ai mina aperta a minha mão, alá meu only you, no azul da estrela. Aliás, bazar da coisa azul, meu only you, é muito mais que o azul de Zanzibar, paracurú, o azul da estrela’  (...)"

(http://www.sindsprevrj.org.br/jornal/secao.asp?area=21&entrada=4134)

Disco e capa em muito bom estado.
Edição Original de 1980.
Saindo por R$ 20,00


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Labirinto - Kadjwynh (2012)





"Não havia como esperar algo diferente de uma das melhores bandas, senão a melhor, de post-rock nacional, a Labirinto. O EP tem nome difícil e é impossível pronunciar, pelo menos eu nunca consigo, mas o conteúdo musical dele é de uma maestria ímpar. Um pouco noise e psicodélico em alguns momentos, em outros, muito bem tocado.

Kadjwynh significa energia vital na língua Kayapó. Para esse povo, existem três elementos vitais: o corpo, o espírito e a energia vital. Esse é o grupo indígena que mais luta contra a implantação da Usina de Belo Monte desde a década de 80. Para eles, o Kadjwynh seria o mais afetado pela construção da hidrelétrica no Xingu. Então dá pra sacar que esse EP tá cheião de contexto político e social.

Daemones é a primeira faixa de Kadjwynh e é uma breve introdução, uma microfonia, um ruído controlado e apenas 1 minuto e 28 segundos de duração, entretanto, a faixa que vem na sequência se liga de maneira absurda com ela.

Tuira inicia-se com o post-rock clássico que a banda Labirinto vem se propondo a fazer e principalmente com toda aquela técnica que já foi registrada em Anatema, um dos discos mais geniais de 2010. Com camadas sonoras leves e contagiantes, a segunda música do EP te faz querer montar uma banda, estudar por bastante tempo e finalmente conseguir criar algo assim e eu não estou exagerando. Ao longo da faixa o som característico vai dando espaço a uma calmaria até o seu fim, o que não é ruim, querido ouvinte.

Piam Ket parece retomar do ponto que Tuira acabou. Eu sempre gostei desse tipo de disco, que uma coisa vai ligando a outra e parece que você está numa apresentação ao vivo que os caras não param nem pra tomar água (e foi assim o lançamento do Anatema no CCSP). Uma guitarra de fundo surge, distorcida, claro e vai acompanhando toda a faixa, até seu clímax, lá pelos 2 minutos e meio. Depois disso, a faixa fica bem calma, tranquila, chamando a próxima canção, Cairo. Lembrando que até agora todas as músicas foram um tanto quanto curtas, mas pera aí, a próxima vocês conhecem e tão ligados que não é assim.

Cairo é a quarta música de Kadjwynh e a última. Tem lá seus 10 minutos de duração e saiu naquela coletânea que divulgamos aqui, More Hope For Japan, criada para dar uma força ao pessoal que perdeu tudo no último Tsunami que deu no Japão. Vocês devem conhece-la e acharem a faixa foda, entretanto, não custa falar um pouco dela. Ela é, para mim, a música mais post-rock clássica do disco, principalmente pela sua duração e o começo bem suave, indo ao clímax de maneira calma, a passos lentos, uma coisa bem Godspeed You! Black Emperor. Bom, vocês já ouviram Cairo, então acabo minhas pequenas impressões a respeito dela aqui.

Analisando as 4 músicas do novo EP da banda Labirinto é possível dizer que eles deveriam ter gravado logo um full lenght. Fica um gosto de quero mais ao término de Kadjwynh. Eu tô pensando em mandar um email pro Erick e pra Muriel falando “eae galera, ces tão brincando né? Tá faltando mais umas 4 músicas ae pra fechar isso!”. Agora sem brincadeira, se você curtiu Anatema, é fã de post-rock ou acha que esse tipo de som combina com o frio que está fazendo em São Paulo, corre para baixar/comprar o seu. Este é um dos eps mais fodas que já ouvi até agora, tanto por sua técnica, quanto pelo quão cativante é o som, que não torna a parada cansativa e chata, pelo contrário, tudo é muito interessante."





(http://www.altnewspaper.com/resenha-de-disco/kadjwynh-e-o-ep-que-deveria-ser-um-disco-cheio/)

Disco Picture em ótimo estado.
Edição 2012.
Saindo por R$ 60,00